terça-feira, 27 de novembro de 2012

# 69





«o jardim está sem gente
e ainda um vago sonho por aí

quando voltar a minha força ausente
hei-de pensar neste álibi»

de Alquimia do Verbo, Mário Cesariny

[imagem: 11.2012 - Minolta Dimage Z3]

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

# 68


 


«Onde a sombra de ti, o meu perfil
É linha de certeza. Aí são convergentes
...
 A palavra solar, o laço da raiz.
Nasce de nós o tempo, e, criadores,
Pela força do perfil coincidente,
Amanhecemos deuses de mãos dadas.» 

 
de Onde a sombra de ti, o meu perfil, José Saramago

[imagem: 11.2012 - Minolta Dimage Z3]

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sábado, 27 de outubro de 2012

# 67







«andamos pelo mundo
experimentando a morte
dos brancos cabelos das palavras
atravessamos a vida com o nome do medo
e o consolo dalgum vinho que nos sustém
a urgência de escrever
não se sabe para quem.»

de Cromo, Al Berto

[imagem: 10.2012 - Minolta Dimage Z3]

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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fronteira Quase # 11

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«Outrora,
comigo estavas aqui com tua voz;
e eu quisera que a ti também voltasse
de mim, agora, um eco de memória,
como esse escuro murmúrio de mar.»

de Ouve-se Ainda o Mar, Salvatore Quasimodo

[imagem: 2009, contraste forçado em Corel Photo-Paint]

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

# 66 - sobre o caminho II





[imagem: 10.2012 - Minolta Dimage Z3]

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# 65 - sobre o caminho







«Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença

Não colecciones dejectos o teu destino és tu

Despe-te
não há outro caminho»

em Sobre o Caminho, Eugénio de Andrade

[imagem: 10.2012 - Minolta Dimage Z3]

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

# 64 - alimento


 


«felizes aqueles que
a terra toda por alimento
toda a fome por caminho»

Bénédicte Houart

[imagem: 10.2012 - Minolta Dimage Z3]

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domingo, 23 de setembro de 2012

# 63 - help




[imagem: 09.2012 - Minolta Dimage Z3]

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

# 62 - perto

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[imagem de João Ricardo Sousa, 08.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

# 61 - when the poets dreamed of angels




«When the poets dreamed of angels
What did they see?»

David Sylvian

[imagem: 2012 - Minolta Dimage Z3]

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

# 60 - escuta

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«No tempo que nada escuta, por quanto o escutaremos como as marcas que trazem aos nossos passos na terra, desse país distante, esse apelo suspenso, esse momento?»   

[palavras 10.2009 - imagem 08.2012, Minolta Dimage Z3]

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

# 59 - secreta viagem




«No barco sem ninguém, anónimo e vazio, / ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio? / Melhor é desistir e não fazermos nada!»

de Secreta Viagem, David Mourão-Ferreira


[imagem: 08.2012 - Minolta Dimage Z3]

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sábado, 1 de setembro de 2012

# 58 - tempo





«O tempo, embora faça desabrochar e definhar animais e plantas com assombrosa pontualidade, não tem sobre a alma do homem efeitos tão simples. A alma do homem, aliás, age de forma igualmente estranha sobre o corpo do tempo.»

de Orlando, Virginia Woolf

[imagem: 08.2012 - Minolta Dimage Z3]

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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

# 57 - um silêncio que espera






«O património do silêncio. Os livros acumulam-se pela casa. Cobrem as paredes, enchem as prateleiras dos armários. Aguardam-nos calados com suas páginas apertadas onde o pó e a humidade se infiltram. Disciplinados, exibem apenas o seu dorso curvo coberto de pele, ou então magro, estreito, de papel. A memória é um silêncio que espera...»

de Tisanas, Ana Hatherly

[imagem: 08.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

# 56 - pouco mais que palha





somos como à palha, arrumada na crença de ser trigo...

[imagem: 07.2012 - Minolta Dimage Z3]

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

# 55 - o indelével tempo sem tempo

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«Habito um país sem memória – alguém sabe de lugar mais triste? É o tempo do tordo branco emigrar. Voltemos pois ao princípio. E o princípio são meia dúzia de palavra e uma paixão pelas coisas limpas da terra, inexoravelmente soberanas. Essas, onde a luz se refugia, melindrosa. Só elas abrem as portas aos sortilégios, e os sortilégios são diurnos, mesmo quando invocam a noite, e as águas do silêncio, e o indelével tempo sem tempo.»

de Soberania, (3.2.86 – Vertentes do Olhar), Eugénio de Andrade  

[imagem: 08.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

# 54 - donkey

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«Tomei a decisão de fingir que todas as coisas que até então haviam entrado na minha mente não eram mais verdadeiras do que as ilusões dos meus sonhos.»

René Descartes

[imagem: 08.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Não é Pecado"... uma leitura em filme!

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Uma leitura, um desafio, uma canção de Anamar...






[filme de Leonardo B. e João Ricardo - Não é Pecado, Anamar - 2012]

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segunda-feira, 30 de julho de 2012

# 53

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«A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.»


de Apontamento, Álvaro de Campos

[imagem: 07.2012 - Minolt Dimage Z3]

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terça-feira, 17 de julho de 2012

# 52 - ensaio sobre a alma

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«Muitas vezes, a alma parece-me apenas uma simples respiração do corpo.»

Marguerite Yourcenar

[imagem: 07.2012 - Minolta Dimage Z3]

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domingo, 15 de julho de 2012

# 51 - try walking in my shoes

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«Now I'm not looking for absolution
Forgiveness for the things I do
But before you come to any conclusions
Try walking in my shoes
(...)

I'm not looking for a clearer conscience
Peace of mind after what I've been through
And before we talk of any repentance
Try walking in my shoes...»

de Walking in My Shoes, Depeche Mode

[imagem: 07.2012 - Minolta Dimage Z3]


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sexta-feira, 13 de julho de 2012

# 50 - O Outro






«Também eu sou outro
transportando um outro.»

Manuel António Pina

[imagem: 07.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

# 49

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«Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades.»

Exílio, Sophia de Mello Breyner Andresen
[imagem: 2009(?) - Minolta Dimage Z3]


sexta-feira, 29 de junho de 2012

# 48



 
«Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos —
Haja.»

Aceita o Universo, Alberto Caeiro

[imagem: 2012 - Minolta Dimage Z3]

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

No Lapso do Tempo - 13

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«Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
Ilumino-a»

de Conserto a Palavra, Daniel Faria

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

# 47

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«De todas essas pedras, de todas,
uma só, onde passa o vento
escolho para meu uso e alegria.»

de De Perfil, Eugénio de Andrade

[imagem: 06.2012 - Minolta Dimage Z3]

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sábado, 9 de junho de 2012

# 46





«além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo»

de Celebração da Terra, António Ramos Rosa

[imagem: 2010 - Minolta Dimage Z3]

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sábado, 2 de junho de 2012

# 45

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«É onde pouso a mão na terra calma
ouvindo quantos anos já vivi,
mas não aqui nem além, agora só
num tempo em que não sou mais que este estar
passando sem passar neste deserto.»

de Passagem, António Ramos Rosa

[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]

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domingo, 27 de maio de 2012

Para Uma Viajante...





E como nem só de letras vive o aprendiz de poeta, hoje e muito especialmente para a Ana, uma viajante muito especial, tentei compor um rascunho “de poema” com os frutos da terra; saiu esta!

Um imenso abraço!

[imagem: 05.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Fronteira Quase - 10







«Porque
por essa porta
sobre a rugosa luz da tarde
terás ainda tempo
de pegar nos pés e meter-te a caminho,
sem raízes
a enredar-te os passos,
pois para a morte
não tens ainda palavras,
ainda não, ainda não, ainda não.»

A Porta, Eugénio de Andrade

[imagem: 2009]

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Inventário dos Lidos - II

 



«Mas tempo, atrás de tempo; se há «talvez» para o passado da História, há «talvez» igualmente para o futuro da História.»

de Reflexão, Agostinho da Silva

[imagem: 05.2012 - Minolta Dimage Z3]

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sábado, 19 de maio de 2012

Inventário dos Lidos - I





«Adoptar uma só máscara? Eu acho que isso não deve ser o ideal. Porque o ideal é ir na corrente do rio, bem alegre, bem divertido com o rio, pronto para ir para todos os lugares aonde ele levar, porque acho que todas as pessoas que têm um ideal, de certo modo estão presas por esse ideal. (…)
Claro que é impossível ter por ideal o não ter ideal, é qualquer coisa de impossível para nós e é muito bom que o homem saiba, que cada um saiba, que há uma série de coisas que são efectivamente impossíveis para ele, mas que sabendo que são impossíveis, possa tentar o que é impossível, apenas porque ele é ilimitado, porque é um reflexo muito ténue, uma centelhazinha muito distante daquilo ou daquele de que ele é imagem. Digo de propósito daquele ou daquilo, para dizer que dou perfeitamente como possível que nenhum homem, nenhum pensamento personalize o aquilo, porque talvez o personalizar o aquilo é já pô-lo não como nós sermos a imagem e criação dele, mas como sendo ele a imagem e criação nossa.(…)
Então acho que só nos podemos soltar disso, começando a amar, querer o imprevisível. Porque se o quisermos, estamos na posição de termos ao mesmo tempo um ideal – o imprevisível – e de não ter ideal nenhum, porque ele é o imprevisível.»

[de Vida Conversável, págs. 29/30 – Agostinho da Silva] 

[imagem: 05.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

# 44 - (...ça me fascine parce que je ne sais pas grand chose)

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«Comme je n´y connais pas vraiment grand chose alors ça me fascine parce que je ne sais pas grand chose.»

[da canção Ça me fascine, Mler Ife Dada]

[imagem: 05.2012, Minolta Dimage Z3,
motivo: foto de Robert Doisneau, um olhar sobre Simone de Beauvoir no Deux Magots, agenda Taschen 2005]



quinta-feira, 10 de maio de 2012

# 43




«Às vezes oiço morrer o silêncio –
é o mar que se afasta,
um ramo que partiu com
o insuportável peso

do mundo sobre o verde das suas
folhas, o silvo da lua
nova rasgando o chão das águas»

de Às Vezes, Eugénio de Andrade

[imagem: 05.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

# 42




«Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.»
 
Passamos pelas coisas sem as ver, Eugénio de Andrade
 
[imagem: 05.2012 - Minolta Dimage Z3]
 
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terça-feira, 8 de maio de 2012

# 41


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«Que eu possa morar
nas dobras de suas páginas
e me escrever nas suas margens,
(como num rio)
que eu mergulhe em suas sendas minúsculas,
como nas entranhas das palavras.»

de Oração, Livia Natália

[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]

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domingo, 6 de maio de 2012

# 40

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«O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora  é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase verde…
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens não se transformam
Não cai neve vermelha
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua

Tudo é igual, mecânico e exacto

Ainda por cima os homens são os homens
Soluçam, bebem riem e digerem
sem imaginação.»
(...)

de Viver Sempre Também Cansa, José Gomes Ferreira

[imagem: 2012 - Minolta Dimage Z3]

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

# 39

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«O poeta é incapaz de conter um segredo, acaba sempre por dizer no poema aquilo que queria guardar só para si.»

de Rosto Precário, Eugénio de Andrade


[imagem: Maio 2012 - Minolta Dimage Z3]



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quinta-feira, 26 de abril de 2012

# 38





«Traidor, julgo, é quem muda aos olhos daqueles que não podem mudar e não mudarão, daqueles que detestam mudar e não podem conceber a mudança, apesar de quererem sempre mudar os outros.»

de Contra o Fanatismo, Amos Oz

[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

# 37





«Nomeei as coisas e fiquei contente:
Prendi a frase ao texto do universo.
Quem escuta ao meu peito ainda lá sente,
Em cada pausa e pulsação, um verso.»

de Nomeio o Mundo, Vitorino Nemésio

[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]

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terça-feira, 24 de abril de 2012

# 36






... todos os dias, cada manhã
a primeira das luzes que vejo
esconde-se num quarto, no mundo!


[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]



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sexta-feira, 20 de abril de 2012

167 Objectos Insignificantes - X

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[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

# 35




[imagem: 2012 - Minolta Dimage Z3]

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domingo, 15 de abril de 2012

# 34

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«Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa segurando-as com os braços esticados dizendo aos pais que era uma árvore.

Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.

Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as folhas.

Mas os pais disseram olha é outono.»

de Outono, Russell Edson

[imagem: 2010 - Minolta Dimage Z3]

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

# 33




[imagem: 2011 - Minolta Dimage Z3]

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

# 32

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«não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.»

de António Ramos Rosa

[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]


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segunda-feira, 9 de abril de 2012

# 31

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«depois cerrou as pálpebras
 sobre os olhos enormes verdes espantados

ligeira
 divagando
 sobre o meu túmulo de ar.»

 de Ascensão, Samuel Beckett 




[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

# 30





«Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.»

de Volante Verde, António Ramos Rosa

[imagem: 04.2012 - Minolta Dimage Z3]

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terça-feira, 3 de abril de 2012

# 29

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«Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu»

de Explicação da Ausência, Daniel Faria

[imagem: 2012 - Minolta Dimage Z3]


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segunda-feira, 2 de abril de 2012

# 28





«mas de verdade o que eu amo
é o do nada do mundo
que até duvido que exista
tanto se acolhe ao profundo.»

de Mundo, Agostinho da Silva


[imagem:: 2012 - Minolta Dimage Z3]

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