terça-feira, 21 de agosto de 2012

# 55 - o indelével tempo sem tempo

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«Habito um país sem memória – alguém sabe de lugar mais triste? É o tempo do tordo branco emigrar. Voltemos pois ao princípio. E o princípio são meia dúzia de palavra e uma paixão pelas coisas limpas da terra, inexoravelmente soberanas. Essas, onde a luz se refugia, melindrosa. Só elas abrem as portas aos sortilégios, e os sortilégios são diurnos, mesmo quando invocam a noite, e as águas do silêncio, e o indelével tempo sem tempo.»

de Soberania, (3.2.86 – Vertentes do Olhar), Eugénio de Andrade  

[imagem: 08.2012 - Minolta Dimage Z3]

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2 comentários:

Caroline Godtbil disse...

Texto e foto impecáveis... Eugênio de Andrade é sempre uma escolha certa.
Beijo.

Luciana Marinho disse...

ser desabitada do tempo... gostaria de encontrar essa dimensão da alma, sendo ela vida e não morte. belo acordo de mistérios entre a fotografia e a citação.

bjo!